• Thais Rodella

Isolamento: emoções e comportamentos

Atualizado: Jul 3



Nesse momento tão peculiar e diria que surreal que estamos vivendo, seria impossível não falar sobre como estão as nossas emoções e comportamentos.


De fato, é muita intensidade para ser sentida de uma só vez...

E no meio de todo esse “furacão”, entender mais sobre esses temas pode nos apoiar a viver dias mais leves e calmos.

Aqui vale começar destacando que cada cultura gera a sua psicologia popular através do desenvolvimento de narrativas sobre como as pessoas são, atuam e resolvem seus problemas.

Diversos rótulos verbais são utilizados para descrever um estado emocional desagradável de apreensão ou tensão, acompanhado por sintomas de ativação fisiológica.

Mas medo e ansiedade são os descritores mais utilizados, tanto na linguagem do dia-a-dia como na literatura psicológica.

Escutamos e verbalizamos muito sobre ambos, não é?

E esses dois famosos descritores de estados emocionais, juntos, geram crenças perigosas e irracionais que faz a pessoa chegar a pensar que tudo, absolutamente tudo, está perdido…

A falta de esperança, falta de perspectiva e ciclo de medo são avassaladores.

E quando chegamos nesse momento?

O que se sente é a perda de significado (não há vazio que ocupe um lugar mais imenso do que isso). De repente, nada mais tem sentido para a pessoa.

Há um acúmulo de experiências negativas que não foram processadas de maneira correta.

Há uma baixa autoestima.

Observa-se, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade evidente. Chega-se a um ponto no qual se considera como certo que nada, nenhuma ação específica, poderá mudar as coisas.

Há a presença de sentimentos como a tristeza, a apatia, o cansaço físico, a desmotivação, o desinteresse por tudo que antes definia a pessoa.

Há frustração, amargura e um grande pessimismo.

E é justamente sobre isso que vim alarmar todos vocês. Esse não é o estado que podemos cultivar, muito menos NORMALIZAR. Precisamos do oposto desse vazio. Precisamos de conexão.

Do ponto de vista das teorias das emoções, o medo é considerado como uma emoção básica, fundamental, discreta, presente em todas as idades, culturas, raças ou espécies, enquanto a ansiedade é uma mistura de emoções, na qual predomina o medo.

Todas as emoções, tanto no limiar com que são ativadas, como na intensidade da resposta, se alteram de acordo com cada indivíduo, POR ISSO SENTIMENTOS SÃO TÃO PARTICULARES.

(Assim você, definitivamente, NÃO tem condições de julgar as emoções e a intensidade do outro, ok? E pare de usar “ se eu fosse você eu faria/sentiria diferente”. Claro que você faria diferente. Você faria e sentiria a partir das suas experiências, sua perspectiva, sua versão).

Mas a parte digamos que TRANSFORMADORA disso tudo é que todas essas emoções são modificáveis por fatores ambientais que podem aumentar ou diminuir tudo isso.

(Entende a importância de escolher o que você vai assistir, se informar e com quem vai se relacionar?).

Além do ambiente, alguns estudos, como o realizado pela Universidade de Twente, na Holanda, afirmam que a falta de esperança costuma estar vinculada ao nosso estilo de personalidade e tendência comportamental.

Há perfis com uma maior tendência ao pessimismo e à vulnerabilidade. No entanto, isso não quer dizer que estejam obrigatoriamente destinados a sofrer uma depressão após a outra.

Todos nós temos a possibilidade (e a obrigação) de fazer uso de recursos pessoais adequados para enfrentar as emoções. Aqui preciso dizer que o processo de Coaching é imbatível na criação de recursos pessoais.

E quando falo em recursos, é bacana entender que agora, com a grande maioria em isolamento, somos obrigados a nos escutar, ouvir nossos pensamentos, pensar nos sonhos, o quanto todos os nossos planos tendem a ser pequenos, egoístas e muitas vezes incoerentes. Ao mesmo tempo começamos a pensar no todo. É muito interessante como a tragédia desse momento une, desperta outro eu interno dentro de cada um de nós, um lado empático. Esse é um momento de muita reflexão, de muita dor e de oportunidade de crescimento.

E nessa “onda” de crescimento convido você para refletir sobre o que eu estou chamando de 3 fases desse momento emocional:


1. Fase educativa

Através da auto observação, chegou a hora de conhecer e nomear as emoções.

Entenda como você se sente, tentando nomear cada estado mental e emocional.

Saia daquele mapa básico: raiva, felicidade e tristeza.

Por exemplo: A falta de esperança frequentemente segue a regra dos três: estou exausto por me sentir triste, frustrado, decepcionado. Afinal de contas, é um estado cumulativo. É ter deixado passar muitas coisas sem tê-las resolvido previamente.

Percebe que nessa rápida análise já listamos mais emoções do que simplesmente dizer que você está triste.

Vamos tentar? Entrar em contato com você mesmo, nem sempre é uma jornada agradável e fácil. Insista. Você precisará quebrar mesmo algumas barreiras. Insista quantas vezes for preciso.


2. Fase de ensinamentos

Porque no fim, é fundamental tentar se livrar da origem desses sentimentos.

Seguindo no exemplo da falta de esperança. Ela é um estado emocional que se intensifica, ao mesmo tempo, pelos nossos comportamentos. Seguir as mesmas rotinas vai fazer com que alimentemos essa situação, esse estado. Portanto, devemos colocar novos hábitos em prática. Devemos tentar nos conectar com a realidade de outros modos, inovar, iniciar novos projetos, ser criativos na medida do possível.

Então agora é hora de conhecer novas ferramentas, adquirir novos hábitos, horários, compromissos e novas aptidões- exemplo: aprender a meditar, ler sobre, acompanhar vídeos, falar com especialistas.

Hora de começar a fazer essa compreensão virar uma ação real e palpável na sua vida.


3. Fase teste , o dia a dia.

Como tudo isso que você aprendeu pode ser aplicado?

“Eu preciso escutar mais? Preciso falar mais? Preciso ficar mais em silencio? Pq eu reajo dessa maneira quando falo desse assunto? Meu coração está disparado? Isso para mim é normal, e outras pessoas me colocaram essa emoção?”

E começar a fazer essas respostas, se tornarem seus comportamentos.

Falei da meditação... Entre tantos benefícios- poderia ficar horas falando exclusivamente disso e do quanto meditar e respirar mudaram minha vida-, um deles está nessa contemplação do momento presente. Então, trazer essa prática para seu dia a dia, pode trazer aprendizados para suas novas vivências mais voltadas para o “agora”.

Não vim ensinar mágica, nem truques, nem dar a dica do milhão. Vim só te convidar a aceitar nossa condição humana, frágil, finita, cheia de desafios e encantamentos.


Descansar é fundamental, mas não ser útil e ser preguiçoso não é saudável. O famoso "ócio criativo" do filósofo italiano Domenico de Masi é um processo de escolher o que fazer e agir em três frentes: trabalho, estudo e divertimento mental. Então, usar o tempo é também deixar uma parte da sua vivência pensando sobre a própria vida, usando de modo livre sua capacidade de ter um "tempo de escolha" como uma espécie de "higiene do tempo" para organizar as ideias, pensar e ter criatividade.

As emoções devem ser entendidas como o que são: um fenômeno comportamental e humano! Sinta! Ouse sentir!


Talvez fosse mesmo a hora de pausar!

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